Encontros em Portugal

Dois irmãos estiveram em Portugal em Janeiro de 2015. Participaram no Conselho Nacional da Pastoral Juvenil, que teve lugar em Fátima nos dias 9 e 10. Depois, visitaram diferentes regiões do país para encontrar jovens e rezar com eles.

Eis a lista de algumas orações com cânticos de Taizé, abertas a todos, onde um dos irmãos participou:

Sábado 10 de Janeiro

Bragança: 21h, no espaço inter-religioso do Instituto Politécnico de Bragança (IPB)

Santarém: 21h30 na Igreja de São Nicolau

Quinta-feira 15 de Janeiro

Sertã: 21h na Igreja de Santo António

Sexta-feira 16 de Janeiro

Entroncamento: 21h no salão Paroquial da Igreja da Sagrada Família

Sábado 17 de Janeiro

Alfragide (Amadora): 21h15 na Igreja de Alfragide

Todos os anos, a Comunidade acolhe em Taizé várias centenas de jovens portugueses. Com este acolhimento, os irmãos não pretendem organizar os jovens num movimento centrado na Comunidade, numa espécie de «grupos de Taizé». Procuram antes de tudo proporcionar desinteressadamente espaços de encontro com Deus e com os outros, que ajudem cada um a retomar alento e coragem para assumir compromissos ou dar continuidade a responsabilidades assumidas na vida quotidiana.

Os irmãos procuram continuamente encorajar todos aqueles que encontram a viver e aprofundar a oração e a solidariedade, que são duas vertentes essenciais na vocação da Comunidade. Numa experiência complementária ao acolhimento em Taizé, na medida do possível, os irmãos vão por vezes ao encontro de comunidades locais. Estas visitas permitem conhecer e apoiar actividades de jovens que procuram desenvolver uma vida interior de oração, que não querem fechar os olhos face ao sofrimento humano, mas sim empenhar-se na construção de um mundo mais fraterno e solidário. Através destas visitas, os irmãos procuram também ajudar os jovens a dar continuidade aos encontros de Taizé na sua igreja local.


Em 2011

Reencontro no Porto

Oração no dia 19 de Fevereiro

No dia 19 de Fevereiro de 2011, a igreja da Trindade, uma das maiores do Porto, tornou-se pequena para acolher todos os que se reuniram para celebrar o primeiro aniversário da «peregrinação às fontes da alegria».

Ao todo, eram cerca de 1500 pessoas: várias centenas de jovens, mas também famílias que tinham acolhido jovens peregrinos um ano antes e representantes da Igreja Católica, da Igreja Metodista e da Igreja Lusitana. Um irmão chileno representou a Comunidade de Taizé. Transmitida na internet graças a uma webcam [http://pt.justin.tv/taizeporto/b/279972417], a oração também foi acompanhada por várias dezenas de jovens que não se puderam deslocar ao Porto. Em Taizé, a Comunidade rezou em comunhão com os que se encontraram no Porto, mencionando a Igreja em Portugal numa das preces da oração da noite.

No início da celebração, D. Manuel Clemente, bispo do Porto, dirigiu-se aos presentes:

«Há um ano, quisemos ir às fontes da alegria, uma alegria que não passa. Convidámos o irmão Alois e a Comunidade de Taizé para virem até aqui, para estarem connosco nesses dias magníficos, na oração, na partilha, no convívio. E hoje estamos aqui para lembrar o quanto nos fascina. Na altura, muita gente perguntava: ‘Sim, isto é muito bonito. Mas… e depois? Isto tem alguma continuação?’ Eu creio que, um ano depois, a resposta está dada. Mas o apelo está aqui também. O apelo a que nós podemos aceder nesta vontade, que todos manifestais e que eu sou o primeiro a compartilhar, de uma relação mais profunda com Deus e com todos a partir de Deus. É essa vontade que a Comunidade de Taizé nos oferece há muitos anos e que no ano passado aqui partilhou connosco.
 
Foram muito os encontros de oração que se desenvolveram na diocese a partir de Fevereiro de 2010. Grupos de oração que se constituíram e que, em vários pontos da diocese, mantêm este ritmo de vigília, de oração, de experiência. Podemos dizer que Deus não se pode de alguma maneira tocar, mas a partir da oração tudo acontece. Quando nos aproximamos de Deus, aproximamo-nos de todos. É isso que nós estamos aqui a agradecer a Deus. É isso que nós vamos levar por diante.
 
Temos de interpretar o significado de tanta adesão e sobretudo de tanta persistência. Creio que estamos a reencontrar o coração de Deus, o próprio coração da Igreja e das comunidades cristãs, para se oferecerem assim ao mundo como um lugar de encontro de Deus e dos outros. É isso que Deus está a dizer através desta persistência, da nossa oração, da nossa prontidão. E temos aqui o futuro que Deus quer!»

O irmão Alois enviou uma mensagem, que foi lida antes da oração à volta da cruz:

«No momento que se voltam a reunir, gostaria de vos dizer que nós, irmãos de Taizé, estamos em comunhão convosco.
 
As dificuldades económicas, que são cada vez mais pesadas, a complexidade, por vezes opressiva, das nossas sociedades, o desalento perante o futuro da Europa e até do planeta, tudo isso conduz a sufocar as plantas de esperança que crescem. É então essencial criar momentos de vida que fazem pressentir que o Evangelho diz a verdade. E é isso que estão a fazer com este reencontro.
 
Para sermos testemunhas do Evangelho junto daqueles que nos são confiados, cada um de nós é chamado a aprofundar uma relação pessoal com Deus: voltar-nos para a sua luz, encontrar e voltar sempre de novo a encontrar a confiança de que Deus nos ama e de que nós amamos Deus.
 
E há ainda outro caminho para renovarmos uma comunhão com Deus: consiste na nossa atenção para com os mais pobres. Ela pode expressar-se num empenho social, em actividades exteriores. Ela é, mais profundamente, uma atitude de abertura para com todos os que nos são confiados e que são também, em certo sentido, pobres que precisam de nós.
 
Gostaria também de vos voltar a dizer as últimas palavras que vos disse há um ano, no final do nosso belo encontro: perante as provações pessoais e as que outros atravessam, a nossa resposta não será amar mais?»

Para partilhar a sua experiência no Encontro Ibérico no Porto, um jovem tinha escrito:

«‘Oh! Como é bom e agradável viverem os irmãos em harmonia!’ (Salmo 132)
 
Se existe alguma frase capaz de descrever os sentimentos, a alegria, a amizade, a paz e o amor, o carinho, o trabalho e esforço de quem sonha criar um mundo novo, ainda que não seja de forma plena, sinto que este versículo do Salmo 132 seja capaz de o fazer.
 
A experiência do encontro de Taizé no Porto trouxe consigo esta harmonia vivida entre os irmãos. Sim! Irmãos é certamente o termo ideal para definir esta relação vivida por todos aqueles que participaram neste encontro. Despojados dos preconceitos religiosos, culturais, sociais, raciais, reunidos para pôr em partilha a nossa vida, ainda que pobre e humilde, somos enriquecidos pela experiência de todos aqueles que caminham no mesmo trilho, em busca da ‘fonte de água viva’, ainda que de noite. Nesta noite da nossa vida, o outro é para cada um de nós uma luz, simples e singular que, mesmo na mais profunda escuridão, ilumina, incendeia e aquece o gelo de um coração empedernido. O outro é tudo isto, porque é, para nós, Cristo. É por ele que também fazemos a experiência de Deus na nossa vida. Sintetizando aquilo que vivi no Porto, rodeado de gente dos mais diversos países e locais do nosso próprio país, faço-o dizendo: Foi claramente uma experiência de Deus que, colocando a mão no meu ombro, me pergunta: ‘Porque gritas? Eu estou contigo até ao final dos tempos.’
 
Foi um tempo de harmonia, de paz e de descoberta interior que só foi possível pelo esforço de todos aqueles que trabalharam para preparar este encontro. É este o esforço de quem sonha criar um mundo novo, que só é alcançável buscando a força necessária no Senhor. Por isso é colocada n’Ele a nossa confiança. Tudo isto foi perceptível no rosto, nas palavras de quem preparou e participou de alguma forma no encontro… assim se faz juízo das palavras ‘onde há caridade e amor, aí habita Deus’. Foi um tempo de deserto, ainda que no meio da multidão… Onde pude rezar, onde pude sair de mim do meu ‘eu’ cerrado e encontrar-me comigo mesmo.
 
É certamente um tempo de mudança, de gente com sede, que sabe agora em quem pode encontrar a ‘fonte de água viva’; mas também sabe que só com a luz que o outro é para si poderá encontrar essa mesma fonte, que nunca se esgota e que é sempre fresca, porque é corrente e, com o seu Espírito, inunda o coração da humanidade, que a impele a viver no Amor. ‘Deus é Amor, atreve-te a viver no Amor’!»

Uma vez por mês, os jovens organizam uma oração citadina no centro do Porto, na igreja das Taipas [http://taizenastaipas.blogs.sapo.pt/]. Várias paróquias organizam também regularmente orações com cânticos de Taizé.

Fotografias do (re)encontro no Porto [http://www.flickr.com/photos/budakhan/sets/72157625966061061/with/5460515670/].


Em 2009

Em Março, um dos irmãos da Comunidade esteve alguns dias em Portugal.

Depois de uma breve passagem por Fátima, o irmão esteve três dias no Porto. O objectivo foi fazer os primeiros contactos com vista ao Encontro Ibérico, que terá lugar no Carnaval de 2010. A igreja das Taipas acolheu um tempo de oração com cânticos de Taizé, que vai sendo habitual todos os meses nesta igreja do centro do Porto.

A viagem do irmão continuou depois em Évora, tendo um grupo de jovens estudantes animado uma oração na Igreja do Espírito Santo. No dia seguinte foi a vez dos jovens da Diocese de Beja organizarem uma oração, na Igreja de Santo Agostinho em Moura. O Departamento Diocesano da Pastoral Juvenil desta Diocese está a organizar uma peregrinação a Taizé no próximo mês de Agosto e no final da oração houve tempo para explicar aos presentes o sentido dessa viagem e dos encontros na pequena aldeia francesa.

O irmão teve ainda a oportunidade de participar num encontro diocesano de jovens algarvios. Este encontro de três dias contou com a presença de jovens Oriundos de Alcantarilha, Algoz, Almancil, Bensafrim, Boliqueime, Ferreiras, Loulé, Matriz de Portimão, Monchique, Monte Gordo, Quarteira, Quelfes, Faro e Tavira, que foram acolhidos por famílias de Aljezur, Carrapateira, Odeceixe e Rogil. Um tempo de reflexão dedicado à missão foi introduzido pelo pároco local, padre Campôa, que sublinhou o facto de sermos chamados a anunciar o Evangelho com gestos, atitudes, disposição e entrega aos outros, e não exclusivamente com palavras. Carmem Santos, uma jovem que esteve recentemente em Angola, partilhou o seu testemunho, realçando que a sua passagem por Taizé a ajudou a tomar a decisão de fazer esta experiência missionária. O irmão terminou este tempo de reflexão falando sobre a experiência de Taizé e incentivando os jovens presentes a assumirem a sua missão cristã na realidade concreta que os rodeia. O bispo diocesano, D. Manuel Quintas, participou na vigília de oração com cânticos de Taizé, na qual estiveram também presentes irmãs de uma comunidade de clausura das Carmelitas Descalças, um pastor luterano e muitos jovens e famílias da região.


Em 2008

No mês de Abril de 2008, um dos irmãos da Comunidade esteve duas semanas em Portugal para participar em encontros e visitar paróquias de diversas zonas do país.

Na Baixa de Lisboa, a igreja de São Nicolau encheu para o serão que teve início às 19h45 com uma oração, que só terminou depois de todos terem tido tempo para se aproximarem e rezarem à volta da cruz. Depois, a paróquia ofereceu uma merenda em frente à igreja, para a qual iam sendo convidados todos os que passavam na rua. De seguida, a igreja voltou a encher para um tempo de reflexão baseado na «Carta a quem gostaria de seguir Cristo».

«Em todos nós há o desejo de um futuro feliz. Mas podemos ter a impressão de ser condicionados por muitos limites e por vezes ser surpreendidos pelo desânimo» escreve o irmão Alois. E convida-nos a assumirmos as situações da nossa vida tal como elas são, com os seus limites e complexidades, de forma a podermos criar algo de novo partindo do que existe, não ficando eternamente à espera que surjam miraculosamente as condições ideais para avançarmos. Perante uma imensidão de possibilidades e uma grande variedade de caminhos possíveis, talvez muitos se sintam «tentados a não escolher, para guardar todas as possibilidades em aberto.» Mas alguém se poderá sentir feliz e realizado se ficar paralizado numa encruzilhada?

Comentando a frase «há pessoas que assumem opções corajosas para seguir Cristo na sua vida de família», a Rita e o José Maria Lopes, um casal que viveu um ano em Moçambique e espera a adopção de um filho, falaram sobre as palavras de Jesus «felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mateus 5,7): «Misericória, na sua decomposição literal ‘Miseris + cor + dare’ significa ‘ter lugar no coração para todos os que são vítimas de qualquer forma de miséria’. Somos um casal com três filhos: impedimento ou incentivo para seguir a Cristo? Na nossa vida, Cristo permanece um verdadeiro incentivo para AMAR (casamento), CRIAR (filhos), PARTIR (Missão), SERVIR (comunidade) e ACOLHER (adopção).»

António Marujo, com a sua experiência de jornalista, falou sobre «opções corajosas para seguir Cristo na sociedade», comentando a bem-aventurança «felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados» (Mateus 5,6) e o salmo 119,172: «A minha língua proclame a tua palavra, porque todos os teus mandamentos são justos»: «Uma opção corajosa ou um caminho de fragilidade? O que me move: a fome e a sede de justiça. A palavra como denúncia e anúncio. A procura da verdade, o privilégio de conhecer mais. Os desafios de fronteira: aos de ‘dentro’ e aos de ‘fora’. A questão de Deus, a busca do seu rosto. O desafio de um caminho pessoal.»

Joana Rigato, Vogal da Comissão Nacional Justiça e Paz e professora de filosofia, falou sobre «opções corajosas para seguir Cristo num compromisso pelos outros», inspirada na frase «felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mateus 5,9): «Depois de experiências em países mais pobres, compreendi o chamamento a realizar cá, na Europa, a missão de sensibilizar os meus alunos e os jovens com quem trabalho para as injustiças sociais com que estamos inevitavelmente envolvidos e para os caminhos de paz e sobriedade que somos chamados a percorrer. Mas como quebrar a barreira dos preconceitos e da sensação de impotência?»

José Tolentino Mendonça, padre e poeta, desenvolveu a interrogação «como seguir Cristo escolhendo o caminho do celibato?», baseado em Mateus 5,3: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu»: «O celibato é um caminho de seguimento de Jesus. Só se entende como experiência de amor. Por vezes, esta forma de consagração da existência é criticada por parecer muito incompleta e escassa. Quem diz isso tem razão. Contudo, aqueles e aquelas que se entregam, nesta forma total, ao amor de Jesus e dos irmãos sabem que a sede sacia, que a incompletude é, no fundo, a condição quotidiana e universal da abertura, que a escassez os torna enamorados do dom de Deus.»

No final do serão, às 22h30, a vigília de oração juntou as várias centenas de jovens presentes numa celebração da luz pascal, que procurou proporcionar um espaço para cada um rezar e reflectir nas inspirações recebidas. O 70x7 esteve nesse dia em S. Nicolau.

A viagem do irmão continuou depois na Covilhã, Guarda, Viseu, Pombal e Aveiro. Em cada uma destas etapas, os momentos de oração foram particularmente bonitos devido à presença de jovens músicos, que acompanhavam as celebrações cantando solos e tocando diferentes instrumentos.

Na Madeira, foi possível visitar a paróquia de Santa Cecília (em Câmara de Lobos), a paróquia de Santana, a Paróquia de Santo Amaro (no Funchal), a paróquia do Caniço, uma escola no Caniçal... Foi particularmente marcante um encontro com prisioneiros. A visita à ilha terminou com uma vigília ecuménica de oração, na Capela da Encarnação (Funchal), com a presença de muitos jovens e de responsáveis pela pastoral juvenil de diferentes igrejas. Está a ser preparada uma peregrinação de jovens da ilha a Taizé para o próximo Verão.

No Porto, depois de uma visita ao Colégio do Rosário, o irmão pôde participar na vigília de oração que mensalmente tem lugar na Casa de Vilar. Depois da oração, os quatro apelos do final da «Carta de Cochabamba» inspiraram um tempo de partilha. Baseados no apelo da Carta de Cochabamba para sermos «próximos daqueles que são mais pobres do que nós», alguns jovens falaram de experiências de ajuda aos sem-abrigo, de voluntariado em instituições de acolhimento de doentes mentais, com crianças órfãs e com famílias desestruturadas. Uma jovem escrevia depois que «o espaço de reflexão ajudou a uma maior consciencialização de que a repartição de bens pode ser feita muitas vezes de uma forma simples e nas pequenas tarefas do dia-a-dia.»

Em Alcanhões, um encontro com um grupo de jovens que tinha estado muito envolvido na preparação do Encontro Europeu de Lisboa, em 2004, permitiu recordar essa experiência e alimentar a vontade de não deixar morrer o entusiasmo descoberto nessa ocasião.

No final da sua estada em Portugal, o irmão esteve três dias na «Festa da Família», uma iniciativa da paróquia do Entroncamento. Reunindo várias centenas de pessoas de todas as gerações, vindas de norte a sul do país, este encontro proporcionou um «espaço de formação, partilha, oração e festa num recinto onde se realizam conferências, workshops, celebrações, concertos e muito mais... Um projecto único onde toda a família é contemplada; jovens, adolescentes, crianças e adultos vivem uma experiência de alegria, comunhão e esperança no futuro...» Houve tempo para um workshop intitulado «Um caminho de confiança» que, partindo da experiência de Taizé e da passagem sobre o chamamento de Pedro no Evangelho de São Lucas (5,1-11), procurou convidar cada um a dar mais um passo no seu caminho pessoal da confiança da fé. No serão de sexta-feira, uma vigília com cânticos de Taizé encheu a vacaria da Quinta da Cardiga para um espaço oração meditativa, reunindo todos os patticipantes desta «Festa da Família» [http://www.festadafamilia.com].


Em 2006

No mês de Março de 2006, um irmão de Taizé esteve dez dias em Portugal e visitou vários grupos de jovens.

No início da viagem a Portugal, houve um encontro no sul do país. Na «Folha de domingo», o jornal diocesano, podia ler-se:

«O dia 11 de Março de 2006 fez história na caminhada cristã dos jovens da nossa Diocese! Centenas de jovens do Algarve estiveram reunidos para viverem uma forte experiência de partilha, reflexão e essencialmente de oração... As famílias de Aljezur ofereceram o jantar a todos...» Ao serão, a igreja paroquial foi pequena para acolher todos os que se quiseram juntar aos jovens para a vigília de oração. D. Manuel Quintas, bispo do Algarve, enviou uma mensagem aos participantes no encontro, que foi lida no início da oração: «Como sabeis, hoje, à vossa volta tudo vos convida a caminhar ‘sem Deus’, ou então paralelamente a Ele. Estou certo de que este dia vos proporcionará um ‘mergulho’ profundo e íntimo na pessoa de Cristo. Gostaria que desse encontro pessoal brotasse a decisão sincera de caminhardes enraizados n’Ele, de modo a crescerdes cada vez mais identificados com Ele... A nossa Igreja diocesana precisa do vosso testemunho jovem, do vosso entusiasmo por Cristo. Ao percorrerdes o rasto de esperança, aberto pelo irmão Roger e pela comunidade de Taizé, contribuireis para construir um mundo mais acolhedor e mais fraterno, porque iluminado por Cristo e integrador de todas as diferenças...»

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Na região de Lisboa e Vale do Tejo, houve cinco encontros, que juntaram no total mais de mil jovens: Prior Velho, Olivais Sul, Barreiro, Santarém e Benedita. Inspirados pela experiência forte de oração vivida na preparação e durante o Encontro Europeu em Lisboa, vários grupos de jovens começaram a organizar regularmente orações nas suas paróquias. Nem sempre é fácil dar continuidade a estas experiências, pois o número de participantes por vezes não é muito estável, mas a perseverança de alguns tem permitido oferecer estes espaços de paragem muito importantes e tão apreciados. Nalgumas paróquias estas orações têm lugar semanalmente, noutras quinzenalmente ou mensalmente. Cada grupo procura adaptar estes tempos de oração à realidade concreta da sua comunidade. Algumas famílias que acolheram jovens no final de 2004 diziam que a «Peregrinação de Confiança» as tinha ajudado a ter uma atitude mais solidária e disponível, outras contavam como o Encontro Europeu as tinha ajudado a descobrir a sua comunidade paroquial... Um grupo de alunos de uma escola decidiu animar semanalmente uma oração com cânticos de Taizé. Como a igreja paroquial é em frente à escola, aproveitam a pausa do almoço para se reunirem lá 20 minutos em oração todas as segundas-feiras.

Em Arouca, uma vila de cerca de 3.000 habitantes a 50 quilómetros do Porto, juntaram-se várias dezenas de jovens na igreja do antigo Convento. Estes jovens, da vila e das aldeias vizinhas da Serra da Freita, costumam reunir-se semanalmente para uma oração itinerante, que tem lugar cada semana na igreja de uma aldeia diferente. Alguns deles estão a preparar uma peregrinação a Taizé para o próximo mês de Julho.

No Porto e em Viana do Castelo, foi muito bonito ver como os jovens que participaram no Encontro Europeu em Milão conseguiram dar continuidade a essa experiência nas suas comunidades locais. Ao reflectir sobre o sentido pessoal a dar ao convite para «alargar», que o irmão Roger manifestou na sua «Carta por acabar», muitos falavam de «alargar a caminhada de fé», «alargar a disponibilidade para com os outros», «alargar aquilo que partilhamos», «alargar a própria família, incluindo nela irmãos e irmãs em Cristo»... No final dum encontro, surgiu a questão: «Como poderei alargar a felicidade de alguém que esteja a sofrer (uma pessoa de idade, uma criança, um jovem sem esperança, um doente, alguém que vive na pobreza...)?»

Durante esta viagem a Portugal, houve ainda tempo para uma breve passagem pelos Açores, com visitas às ilhas Terceira e S. Miguel. Em Angra do Heroísmo, a Sé Catedral estava especialmente decorada para a ocasião e reuniu várias dezenas de pessoas para uma vigília de oração. Um pequeno grupo de jovens da Terceira está a preparar-se para vir celebrar a Semana Santa a Taizé. Este grupo teve assim uma ocasião para conhecer melhor a Comunidade e o sentido dos encontros de jovens. Durante um tempo de reflexão à volta da «Carta por acabar», a pergunta «o que me ajudou a compreender que sou amado por Deus?» ajudou os jovens a conhecerem-se melhor e a partilhar sobre a frase de S. João «Deus é amor.» Para chegar a Taizé, este grupo terá que apanhar um avião até Lisboa e depois seguir de autocarro para França. Desde Novembro do ano passado, os jovens estão a trabalhar para poderem pagar os custos da viagem. Para tal, iniciaram uma campanha de recolha selectiva de resíduos porta a porta, em colaboração com a Câmara Municipal da sua cidade de 35.000 habitantes. Para além do aspecto material, esta campanha visa também sensibilizar a população para a importância da reciclagem.

Em S. Miguel houve duas vigílias de oração, sábado à noite nas Furnas e domingo à noite em Ponta Delgada. Nas Furnas, à saída duma igreja cheia de jovens, era impressionante passear num jardim cheio de fontes, de água fria ou quente, de poças de água a ferver e de fumarolas... Domingo de manhã, uma Eucaristia foi especialmente animada com cânticos de Taizé em Fajã de Cima e da parte da tarde houve um tempo de encontro e reflexão com jovens de várias paróquias da ilha. Os jovens estavam contentes de conhecer as atividades dos grupos vizinhos e sentiram-se particularmente inspirados pela seguinte passagem da Carta: «Quem procura amar e dizê-lo através da sua vida é levado a interrogar-se sobre uma das questões mais prementes: como aliviar as penas e o tormento daqueles que estão próximo ou longe?» Alguns deles assumem compromissos que são verdadeiros sinais de esperança no mundo actual. Um jovem casal falou do tempo que viveu na Casa do Gaiato, acolhendo crianças e jovens que, por qualquer motivo, se viram privados do seu meio familiar. Dois grupos de S. Miguel participaram no Encontro Europeu em Lisboa e animam agora orações com cânticos de Taizé em diferentes paróquias da ilha.

No final do encontro numa paróquia, alguém dizia que «estes momentos, com toda a sua espontaneidade e simplicidade, permitem que jovens com vivências diferentes se encontrem, rezem juntos, partilhem sobre as suas inquietações e as suas esperanças e se estimulem mutuamente na sua caminhada de Fé e na sua procura de comunhão com Deus e com os outros.»

«A nossa Igreja diocesana precisa do vosso testemunho jovem, do vosso entusiasmo por Cristo. Ao percorrerdes o rasto de esperança, aberto pelo irmão Roger e pela comunidade de Taizé, contribuireis para construir um mundo mais acolhedor e mais fraterno, porque iluminado por Cristo e integrador de todas as diferenças...»
D. Manuel Quintas, bispo do Algarve

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